Nasceu em S. João da Madeira e estudou Sociologia na Universidade do Minho, onde se licenciou em 2002 e onde também se iniciou no teatro e integrou a AAUM. Pelo meio já tinha feito castings de apresentação para a SIC Radical. Mudou-se para Lisboa em 2009 para ingressar na SIC Mulher, na qual ganhou particular destaque com o “Mais Mulher”, um talk show que conduz há alguns anos na estação de Carnaxide. O sonho do teatro e do cinema já se concretizou e a sua imagem permite-lhe ainda muitas presenças regulares em produções de moda. É socialmente ativa, pois envolve-se em causas como a Luta Contra o Cancro da Mama, a Associação Laço, entre outras. Escreve e é cronista regular do jornal “Metro” e a representação é a sua grande paixão. Com um largo sorriso no rosto e vitalidade no discurso, recebeu-nos para uma conversa, exatamente no estúdio onde recebe os seus convidados e se dirige ao seu público.
 
Lembra-se da miúda de 18 anos que era, quando chegou à UMinho em 1997?
Ainda conservo essa miúda [risos]. Tinha muitos sonhos e muita vontade de fazer o mundo, vontade que ainda mantenho. Ir para a UMinho foi muito pensado, mas também uma descoberta. E mal entrei em Sociologia, que era algo que eu queria, senti que Braga ia ser muito especial para mim.
 
Sociologia porquê?
Sempre quis compreender o que me rodeia e entender o outro. É algo que me continua a fascinar. Se bem que a comunicação já estava muito presente e a UMinho tem um Departamento de [Ciências da] Comunicação muito interessante, pelo que sempre achei que poderia fazer uma alteração no meu percurso se achasse que o caminho era outro.
 
E o teatro?
Braga foi especial, porque me fez explorar talentos escondidos. Ajudou-me a descobrir-me, pois aos 18 anos fui viver noutra cidade, com toda a aventura que isso representa, com a criação da nossa própria rede. Senti toda a base de uma estrutura que a universidade me deu, com os amigos que fiz para a vida e também com o teatro, a associação académica e os vários géneros da exploração das artes. Na verdade, ao mesmo tempo que estudava Sociologia, explorava o palco, um espaço onde me encontrei e onde iniciei a formação teatral.

arc2.jpg
 
Era uma aluna ativa ou passava despercebida?
Fui sempre muito ativa e muito envolvida. Esse elemento ativista existe ainda hoje em mim. Essa função de orientar é primordial, porque é muito duro, para quem não tem bases, encontrar-se no contexto académico. E eu tive a grande sorte de estar num grupo de amigos que era ativo e enérgico, como eu, e que me ajudou muito. Estar no Departamento Cultural da AAUM foi importante e acabou por ser um caminho natural, envolvi-me nos rituais académicos, também tinha amigos na tuna e acabei por me envolver num ambiente que entrou com o meu estilo de vida e fundi-me naquela envolvência.
 
Guarda amigos desse tempo?
Sim. Não contacto todos os dias. Agora vivo em Lisboa e isso faz com que não contacte tanto com eles, mas tenho amizades fortes desse tempo. Por exemplo, no meu casamento tive alguns amigos da universidade e sentimo-nos como se nunca tivéssemos saído de Braga. 
 
O que sente quando se fala da UMinho e da sua importância?
Sinto que a UMinho foi uma excelente aposta e é uma grande referência. Um espaço de excelência. Vou partilhar uma história que tem uns anos e para mim foi marcante. Eu tive logo aos 18 anos, com um dos principais professores, o de Teoria Sociológica, uma experiência marcante, que foi ter um exame de consulta, uma novidade para uma miúda que vinha do liceu. Depois de recebermos os resultados, que não foram lá muito simpáticos, o professor disse-nos algo muito importante: “Esqueçam de onde vieram, aqui vão começar a aprender a pensar”. Nunca mais me esqueci disso, porque a universidade ensina os jovens a pensar, pois saem do liceu protegidos e com regras objetivas, passando a ter que crescer como pessoas, numa decisão que cabe a cada um. 
 
Percebeu nesse dia que estava a crescer…
Percebi nesse dia que seria uma escolha minha tornar-me a mulher que queria ser.

SC.jpg
Como uma socióloga acaba a fazer um curso de jornalismo no CENJOR?
Essa história começa mais atrás. Eu estava no segundo ano de Sociologia e fui convidada para um casting da SIC Radical, aqui ao lado [aponta]. Tinha 19 anos, acharam que eu tinha algum jeito para isto e inscreveram-me. Deixei a Sociologia por um momento e vim experimentar - senti-me como peixe na água. Fiquei a sentir que a comunicação estaria sempre presente. Quando mais tarde terminei a universidade, trabalhei em cultura, em sociologia e, quando reencontrei a televisão, era o momento de explorar um pouco mais. Acho que nos devemos manter em formação e, apesar de trabalhar há algum tempo em televisão, continuo a fazer formação contínua em diversas áreas relacionadas com o meu trabalho. Quando comecei a fazer televisão, fiz o CENJOR para ter habilitações jornalísticas.

E o sonho da representação?
Já se concretizou! Fiz o “Sei Lá”, filme do Joaquim Leitão, e antes entrei em novelas, fiz teatro, voltei a estudar representação. Portanto, felizmente há uma série de coisas que começaram em Braga, no Teatro Universitário, que sempre estiveram dentro de mim e que acabaram por entrar na minha vida.
 
Assim é difícil escolher uma área.
Porque é que devemos escolher uma, quando nós somos tanto? Acho que vivemos um pouco essa ideia, mas todos nós somos diversas coisas e o que importa é aperfeiçoarmos-mos nelas. 
 
Então lancemos mais uma: lecionar.
É algo que também já aconteceu e já faço. Tenho tido oportunidade e a sorte de dar aulas de Comunicação. Fico à espera do convite da UMinho [risos], pois seria um prazer fazê-lo.
 
Há-de escrever um livro?
Para já continuarei a escrever, e vou continuar a escrever no "Metro", onde faço as crónicas do mundo, mas o livro há-de acontecer um dia [sorriso].