No Bom Jesus do Monte, em Braga, há uma estrada que dizem que "é mágica", porque é o sítio onde os carros andam para trás, sozinhos, sem engrenar a marcha-atrás. O fenómeno tem uma explicação simples, mas certo é que mesmo quem conhece o local desde que nasceu não perde a oportunidade de brincar sempre que vai ao santuário. E há até quem leve água, garrafas ou bolas para fazer experiências.

A estrada está numa das saídas do Bom Jesus e faz ligação à nacional que liga os visitantes ao Sameiro ou ao centro da cidade. Quem ali chega, vê uma rampa que parece descer, mas basta deixar o carro em ponto morto para o veículo começar a recuar. Foi o que fizeram William, Vladimir ou Margarida, na tarde de sábado. Uns para mostrarem aos amigos, outros só para repetirem a diversão. "Comprámos uma bola de propósito, porque de carro podiam não acreditar. Podiam achar que estávamos a fazer um truque", conta Ludmila, mulher de Vladimir, enquanto deixa a bola no chão para ela rebolar no sentido menos previsível. Eugenia, a amiga, ainda desconfiou, mas quando largou o objeto com as próprias mãos, os olhos arregalaram-se. "É milagre", atira.

Perceção errada

Na verdade, não há magia. O professor de Física da Universidade do Minho, Luís Cunha, explica que há apenas uma "perceção errada", a que as pessoas chamam ilusão de ótica. "Quando seguimos para a estrada principal temos a perceção de que estamos a descer, porque a estrada principal é a nossa referência. Mas essa estrada tem um declive tão grande que, quando se está na rampa, pensamos que estamos a descer quando, na verdade, estamos a subir", esclarece.

Apesar de não ser novidade para muitos, o local continua a ser uma das atrações principais da estância religiosa. "Nos dias de maior afluência, aquela saída acaba por ter muita confusão", confessa Varico Pereira, da confraria. O responsável lembra que há, também, uma "parede falante" no Bom Jesus, situada na outra saida do santuário. "Como faz meia curva, o som não se difunde. Se uma pessoa estiver de um lado da parede e falar baixinho, a pessoa na outra ponta vai ouvir", conta.​

Notícia: Jornal de Notícias
Foto: Paulo Jorge Magalhães/Global Imagens