As cidades e a sua sustentabilidade vão estar no foco do programa Instituto de Tecnologia do Massachusetts (MIT) Portugal para os próximos anos. Encerradas as duas primeiras fases do programa, que decorreram ao longo dos dez últimos anos, é tempo de se olhar para o futuro e destacar o papel crucial que Portugal poderá aportar para o projeto, dada a sua perspetiva das cidades atlânticas.

Para Pedro Arezes, coordenador nacional do MIT Portugal, este programa permitiu “fortalecer a ciência nacional e trazer experiências de outros cientistas” para o país. “Temos muito a aprender com MIT, mas também muito a partilhar com eles, fruto do nosso contexto muito específico”, acrescentou.
Para Arezes, em termos globais, o balanço da cooperação é “de muito sucesso, não só pelos valores quantitativos alcançados, mas também pelos valores qualitativos que apontam para o mesmo cenário”.

Também o reitor da Universidade do Minho (UMinho), Rui Vieira de Castro não se escusou a fazer uma “avaliação francamente positiva” do percurso deste programa, destacando aquilo que este proporcionou a estudantes e professores. O responsável pela academia minhota considerou que o Governo “entendeu bem que devia continuar este esforço”, elencando a “economia azul, o espaço e a transformação digital” como elementos de uma “nova centralidade”.
“A resposta a estes desafios globais vai beneficiar desta colaboração estreita com o MIT”, sublinhou.

Pela parte do governo, Manuel Heitor, o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, frisou que os programas lançados até aqui foram “orientados para a colaboração entre as universidades portuguesas”, dando conta que “essa fase está ganha”.
Esta colaboração envolveu "de forma mais efectiva" seis universidades portuguesas e 28 centros de investigação e resultou em "500 pessoas doutoradas, mais de cinquenta professores em estadias no MIT e o envolvimento de mais quinze empresas com projectos conjuntos", contabilizou António Cunha, ex-reitor da UMinho e um dos responsáveis pela implementação do programa em Portugal. Cunha assinalou "uma mudança no modo como se ensina engenharia e no modo como se ensina os alunos.
 
Coordenação nacional passa para o Minho
 
Pedro Arezes, no que se refere à participação da academia minhota no programa, destacou um “envolvimento crescente”, avançando que a terceira fase vai “reforçar o papel da UMinho no contexto nacional uma vez que o Gabinete de Coordenação, que estava situado em Lisboa, vai passar a estar na academia minhota.
Uma notícia que deixa Rui Vieira de Castro, reitor da UMinho, satisfeito uma vez que “significa o reconhecimento do trabalho de grande eficácia de professores e investigadores” na academia.
 
Mais 10 anos de MIT Portugal lançados com otimismo
 
Da interação entre o MIT e Portugal perspetiva-se uma parceria de seis anos, mas com planeamento para dez onde a maior parte do investimento será direcionado para projetos de consolidação e para a investigação e “seed projects”. Uma terceira fase que, para Manuel Heitor, “será concentrada no reforço do emprego científico em Portugal, juntamente com medidas de co-recrutamento com as melhores universidades americanas de forma a atrair mais investigadores para Portugal e estimular o emprego científico e, por outro lado, tem uma orientação temática clara no desenvolvimento, criação e desenvolvimento de uma agenda atlântica, associada à criação do Centro Internacional de Investigação do Atlântico”.
Para o futuro, Pedro Arezes destaca a importância crescente que deve ser dada ao envolvimento das empresas, lembrando que, até aqui, se tentou que nos projetos financiados houvesse uma ligação efetiva entre o tecido empresarial e os projectos. “Na última fase, por cada dois euros de investimento público as empresas davam um euro”, exemplificou.

No que diz respeito a orçamento, Arezes garantiu que será “igual ou maior” relativamente a fases anteriores, lembrando que o mesmo deverá situar-se nos 30 milhões de euros, um valor avançado na véspera pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor.
Rui Vieira de Castro afirma que “a expectativa é a de que se ultrapassarem os valores alcançados até à segunda fase”, valores esse que permitem “encarar com otimismo” a terceira que agora arranca.

O MIT Portugal resulta de uma parceria entre várias instituições de ensino superior, o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, o MIT, a FCT e diversas empresas de referência. Foi criado em 2006 com o objetivo de fortalecer a base de conhecimento do país, o empreendedorismo de origem científica e a competitividade internacional através de investimentos estratégicos em pessoas, conhecimentos e ideias inovadoras.
 
Recorde-se que, no passado dia 16 de fevereiro, a UMinho foi palco do simpósio “MIT e Portugal nos desafios do planeta e da sociedade”. Uma iniciativa que decorreu no seguimento da assinatura do acordo entre a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e o Instituto de Tecnologia do Massachusetts (MIT), que estende o Programa MIT Portugal para uma nova fase, a terceira.