José Gonçalves cresceu com a tecnologia nos anos 80, quando “apareceram os computadores”, com uma curiosidade que o levou a escolher Engenharia de Sistemas e Informática, na Universidade do Minho, e a entrar, como estagiário, na Andersen Consulting, antecessora da atual Accenture, onde construiu praticamente toda a carreira.
Com o tempo, a tecnologia deu lugar a uma visão mais centrada nas pessoas e na liderança. “Ser líder não é um cargo, é um reconhecimento”, afirma o novo presidente da Kyndryl Portugal em entrevista ao Expresso. Um reconhecimento que, diz, se constrói rodeando-se das pessoas certas e criando um propósito comum. “Não faz sentido contratar as melhores pessoas e dizer-lhes o que fazer. Faz sentido contratá-las para que nos digam o que temos de fazer”, resume.
Ao longo de três décadas na Accenture, o gestor passou da tecnologia à liderança, chegando à presidência da operação em Portugal, que ocupou durante sete anos. Pelo caminho tomou algumas decisões de risco, antes de assumir um cargo global na estrutura internacional da empresa. A experiência, admite, deu-lhe escala, mas não o preencheu profissionalmente. “Consigo fazer um cargo corporativo internacional, mas não é isso que me realiza”, argumenta, acrescentando que o seu contributo está essencialmente “no terreno, com os clientes e com as equipas”.
Assumiu recentemente a liderança em Portugal da Kyndryl, empresa tecnológica nascida de um spin-off da IBM e focada na gestão de sistemas críticos. A escolha prende-se, entre outras razões, com o posicionamento da organização no mercado. “A Kyndryl gere os sistemas críticos das principais empresas portuguesas. Não há nenhuma empresa em Portugal que possa fazer isso”, vinca. Sem avançar com metas concretas, é claro quanto à ambição: “Este tipo de negócios não funciona sem crescimento”, admitindo ritmos de um ou dois dígitos.
Sobre o sector tecnológico em Portugal, o seu diagnóstico mistura confiança e exigência. Não tem dúvidas quanto ao potencial do país. “Portugal tem talento de excelência na área da tecnologia”, destacando a capacidade de exportação como uma das principais vantagens competitivas. O maior constrangimento continua a ser a dimensão do mercado interno, que limita tanto a escala como o investimento. A resposta, defende, passa por alargar o horizonte. “Portugal tem de ver o mundo como mercado, e não apenas o mercado interno.”
Notícia: Expresso.pt