​Empregando mais de duas mil pessoas, das quais cerca de 30% são mulheres, o grupo bracarense DST, um dos maiores do setor nacional da construção, continua a investir na qualificação avançada dos seus trabalhadores.

Contando com 10 profissionais com doutoramento concluído, distribuídos por diferentes empresas do grupo e áreas de especialização, tem neste momento três outros trabalhadores a frequentar programas de doutoramento, integralmente financiados pelo universo empresarial detido pela família Teixeira, que a Forbes coloca na 35.ª posição da lista dos mais ricos de Portugal, com uma fortuna avaliada em 398 milhões de euros.

Esta sexta-feira, 23 de janeiro, Sara Costa, gestora de Inovação da DTE, empresa de instalações especiais da DST, defende o seu projeto, realizado no âmbito do Programa Doutoral em Engenharia Industrial e de Sistemas da Universidade do Minho, que se foca num dos temas mais determinantes para o futuro do setor: a industrialização da construção.

Num contexto em que Portugal enfrenta desafios estruturais de produtividade, falta de mão de obra especializada e necessidade urgente de inovação no setor da construção, este doutoramento “representa um contributo científico inédito para o país, estabelecendo uma nova forma de compreender, definir e operacionalizar a industrialização da construção, tanto na teoria como na prática”, realça a DST, em comunicado.

“Este doutoramento mostra que industrializar a construção vai muito além de erguer sistemas construtivos: é moldar mentes, culturas e futuros; é industrializar o pensamento, a colaboração e a ambição coletiva. A grande questão já não é se a construção pode ser industrializada. A verdadeira questão é se a indústria e a sociedade estão preparadas para abraçar essa transformação com consciência e propósito”, admite a doutoranda, Sara Costa.

“Só assim se podem aumentar os salários”

O estudo sustenta que a industrialização não pode ser entendida apenas como inovação produtiva. “Pelo contrário, trata-se de uma transformação organizacional profunda, que afeta simultaneamente estruturas, processos, modelos de negócio e sistemas produtivos, mas também, e de forma decisiva, competências, comportamentos, lideranças, culturas internas e mentalidades individuais, num setor que tradicionalmente resiste à mudança”, nota o grupo bracarense, que fatura cerca de 700 milhões de euros e tem um EBITDA (lucos antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) de 80 milhões.

“As empresas precisam de mais ciência para aumentarem a produtividade e aumentarem os produtos inventados em Portugal. Só assim se podem aumentar os salários”, afirma José Teixeira, presidente do grupo DST.

O empresário defende que “as parcerias com universidades, centros de investigação e institutos politécnicos são essenciais, mas são uma etapa do processo”, ressalva.

“As empresas têm de ter, para além de mestres e pós-graduados, muitos mais doutorados nos seus quadros. Temos de ter muito mais artigos publicados em revistas científicas e é esse caminho que estamos a fazer. Temos de ser mais citados e isso está a acontecer no grupo DST”, afiança Teixeira.

“É esse o caminho que estamos a fazer no grupo para inventarmos, para registarmos patentes - temos mais de uma dezena submetidas na área da construção industrial. Continuaremos determinados a apostar na formação em toda a cadeia de valor do trabalho como a solução para melhorar a vida dos que connosco trabalham”, promete o líder do grupo bracarense.

Notícia: Negócios