Pedro Arezes, 43 anos, licenciou-se em Engenharia Industrial na Universidade do Minho, onde também fez o mestrado e o doutoramento em Ergonomia. Em 2013 tornou-se aí professor catedrático e, no ano seguinte, partiu para o Instituto de Tecnologia do Massachusetts (MIT), nos EUA.

Nos Estados Unidos, Pedro Arezes fez investigação ao abrigo da parceria MIT-Portugal. Esse foi o início de uma ligação que se foi reforçando nos anos seguintes quando passou a integrar a comissão directiva do programa doutoral de Líderes para as Indústrias Tecnológicas. Durante a conferência anual do programa, que decorreu em Braga no dia 30 de junho, foi anunciado como o novo director do MIT-Portugal. Substitui Paulo Ferrão, que o liderou desde a sua criação, em 2007, e saiu para presidir à Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). Garante que não vai “fazer uma revolução”, mas entende que é preciso comunicar melhor os resultados do programa à população.

O programa MIT-Portugal está prestes a comemorar dez anos. Que contributo deu ao país?

Destacaria a internacionalização da ciência e da tecnologia, que se tornou muito mais relevante e visível nestes anos. Depois, houve um reforço da interligação entre as próprias universidades nacionais participantes, que se vê no aumento do número de projectos conjuntos e também na qualidade e impacto das publicações que são feitas em parceria. Há um terceiro aspecto que foi a criação de uma comunidade do MIT-Portugal composta por alunos e ex-alunos excelentes, o que tem garantido resultados fantásticos ao nível da criação de empresas e do estabelecimento de carreiras académicas de sucesso.

O programa influenciou mais o tecido científico ou o empresarial?

Influenciou ambos. Como estou ligado à área académica, vejo o impacto a este nível de forma mais clara. Mas quando olho para os números que temos, nomeadamente o co-financiamento privado dos projectos de investigação, não posso deixar de sublinhar também o sucesso nessa área. Na segunda fase do programa [2012-2017], o investimento [total] das empresas anda na ordem dos 1,5 milhões de euros, o que representa o dobro dos primeiros cinco anos e cerca de um terço do valor do investimento global. Isto é um indicador mais do que claro desse envolvimento.

Um estudo do ISCTE, publicado há um ano, apontava um fraco impacto económico destas parcerias internacionais. Isto não contraria essa ideia?

Não duvido dos dados do estudo do ISCTE – que convidámos para participar na conferência anual deste Programa – e é absolutamente relevante olhar para aquele estudo com mais detalhe. Sentimos que é difícil encontrar indicadores fiáveis relativamente ao impacto económico e temo que esse estudo possa ter uma visão restritiva sobre esses dados. Entendemos que se pode ir além dos indicadores quantitativos e por isso, nesta fase final do segundo ciclo do projecto, vamos ter um reforço de avaliação do programa sob vários pontos de vista, um dos quais é o impacto na economia portuguesa.

Por que sentiu essa necessidade de avaliação?

Porque é a nossa evidência mais clara da importância do programa. Na comunidade do MIT-Portugal, não há dúvidas sobre a qualidade e os resultados do trabalho, mas sentimos que alguns dos interlocutores, como as empresas, as entidades financiadoras e o Governo precisam de dados mais concretos sobre o impacto do programa. Nos primeiros cinco anos foram investidos 65 milhões de euros e financiadas mais de 200 bolsas de doutoramento e 20 projectos de investigação. Na segunda fase, iniciada em 2012, dada a redução drástica do orçamento para 20 milhões de euros, o programa focou-se no apoio a projectos científicos cujos resultados possam ser montras internacionais de tecnologia, havendo três em execução [os chamados test bed, de um milhão de euros cada, nas áreas de medicina regenerativa e células estaminais, cidades sustentáveis e materiais avançados na indústria da mobilidade]. Sendo o MIT-Portugal financiado publicamente, também achamos que as pessoas têm o direito de ter acesso a dados mais evidentes sobre estes resultados. Não temos dúvidas de que valeu a pena, mas precisamos de comunicar esses dados fora da comunidade académica.

Nestes dez anos foram criadas 18 empresas start-up no âmbito do programa. É um número suficiente?

Gostávamos sempre de ter mais, mas estou positivamente impressionado com a quantidade de empresas que foram criadas. Este não é um programa de aceleração de start-ups, portanto a quantidade dos nossos alunos que tomaram essa iniciativa por eles próprios é positiva. A maior parte destasstart-ups têm indicadores de sucesso, nomeadamente prémios e convites para participarem em incubadoras estrangeiras.


Fonte: Público