Um caso exemplar de dedicação, esforço, determinação, resiliência e vontade de, pouco a pouco, deixar o seu contributo na luta pela construção de um mundo melhor. Podia ser este o resumo de algumas das qualidades e ambições que Patrícia Borges demonstra e procura atingir na sua vida. Mas a jovem bracarense é mais - muito mais do que isso - e quer mostrar ao mundo o que tem para dar.

É um exemplo perfeito do que é ser e ter uma carreira dual: Patrícia é, a nível profissional, advogada, profissão que procura conciliar com a de árbitra de futebol.

Não será caso único, certamente, mas é um caso raro e quando se percebe o porquê desta opção, fica a conhecer-se bem melhor quem é Patrícia Borges e quais os seus objetivos, as suas metas e os seus sonhos.

A ligação ao Direito nasceu por uma espécie de acaso, como a própria afirma (“Não fui eu que escolhi o Direito, mas sim o Direito que me escolheu a mim”), mas a ligação à arbitragem foi bem diferente. Patrícia sentiu a necessidade de conhecer bem de perto a realidade do que os árbitros sentem dentro de campo. E avançou. “Eu via a arbitragem como vi o curso de especialização em Direito do Desporto. Quis conhecer a realidade. Quis saber como um jogador vive, um árbitro decide e um treinador orienta. Tinha que estar lá para perceber a pressão de estar lá dentro, de forma diferente da visão do adepto, que era a que tinha”, refere a jovem árbitra e advogada, acrescentando que “até chegar à arbitragem, tinha um desconhecimento total daquilo que é a preparação de um árbitro de futebol para um jogo. É uma realidade completamente diferente daquilo que as pessoas pensam”.

Agora, a sua dedicação, a sua vontade é contribuir para o crescimento da modalidade do futebol e da arbitragem, mas principalmente para avançar com a mudança das mentalidades que são negativas relativamente aos árbitros e à arbitragem.

Não será fácil e Patrícia Borges, apesar de saber que não vai mudar o mundo, acredita que será possível, pelo menos, dar pequenos passos rumo a um futuro melhor, não só no futebol e na arbitragem, mas também a nível da sociedade. Mas para mudar essas mentalidades, é necessário ir ao cerne da questão e começar da base. “É essencial mudar as mentalidades. A mudança tem que ser social e não através do agravamento das molduras penais. A mudança tem que ser na educação, nas escolas, em casa. Os jovens atletas têm que conhecer as regras e as leis do jogo. Se não as souberem, também não vão poder trabalhar da melhor forma. E esse desconhecimento do praticante, leva também ao desconhecimento do adepto. Temos que ir à base da questão”, finalizou.

A paixão pelas leis cresceu, mas sem esquecer o desporto

Licenciada em Direito pela Universidade do Minho, pós-graduada em Direito Judiciário pela mesma instituição, premiada com a Bolsa de Excelência e Bolsa de Estudo por Mérito Escolar. Especialista em Direito do Desporto pela Universidade de Coimbra e a frequentar a Pós-Graduação em Organização e Gestão no Futebol Profissional, pela Liga Portugal e Universidade Católica: “Estou certa que o futuro do futebol passa pela obrigação das SAD’s terem nos quadros uma pessoa formada nesta pós-graduação, pois a boa organização e gestão será o segredo dos que procuram bons resultados, porque os golos não se marcam só em campo. O meu objetivo é trabalhar no futebol profissional sem nunca perder a ligação à minha verdadeira base: a advocacia”.

Em campo para conhecer a realidade do futebol

Com uma formação académica e profissional bem diferente e distante da área desportiva, a verdade é que o mundo do futebol nunca foi estranho a Patrícia Borges, filha e sobrinha de ex-jogadores, treinadores e dirigentes desportivos, nomeadamente do futebol. Desde bem pequena que acompanhava o seu pai nos treinos e jogos das equipas que orientava, conhecendo como poucos a realidade, enquanto adepta, deste “mundo que faz mover paixões e cria inúmeras emoções”. Mas Patrícia quis ir mais longe. Quis conhecer profundamente a realidade de “calçar as chuteiras, pisar um campo e saber o que os jogadores, treinadores, dirigentes e árbitros fazem e têm que fazer numa partida”. Daí até ao curso de arbitragem foi, por isso, um curto passo.
 
Fonte: Correio do Minho